terça-feira, 9 de setembro de 2014

Grão de areia, grão da esperança


Pela primeira  vez  vejo  meu  castelo ruir.
Nele, desabam  sonhos construídos  na  noite
Alimentados na  manhã.
Desejos e  juras caindo
junto  deles,  uma  lágrima  rolando.
A  dor  fria, impiedosa  chegando
acenando perdas  em tempestades  saudosas.
Agarrei você  como  um  punhado  de areia.
Aos  poucos e  longos  prantos
sou  obrigada  abrir  a  mão,
deixar  o  vento  levar...
Só  espero que  algum  grão
bata  na  porta  do  seu coração.
Sem saber  se ainda posso  lhe  desejar,
sem saber se  ainda  existe uma  porta  pra  mim.
Não  negue de  abrir  essa porta  e  guardar  esse  grão.
Por  muitas  noites  ele  poderá  lhe  apertar  o  coração
Arranhar  seus  olhos,  talvez até  chorar.
Mas, também vai  lembrar como  foi  forte  meu  amor
Intenso  foi  nosso  querer.
Não  posso  mais  pedir  nada.
Fecharei  esse  ciclo a  força.
Em casulo  habitarei, até  o  dia  da  transformação.
Amarei  outros
caminharei  outros passos
construirei outros  castelos
assim,  a  vida  me  fez...
Amar será sempre minha  trilha.
Mas,  se  esse  vento retornar
soprar  a  meu  favor,
agarrarei  com todas  minhas  forças
minhas  mãos  não  abrirei
Não  deixarei  o  vento lhe  levar.

Fátima Lima

Um comentário:

  1. Muito bom o texto. Parabéns. Quando puder dê uma passadinha lá no meu blog onde encontrará também algumas poesias, contos e também outras coisas como dicas de viagem, críticas literárias, etc.
    Abraços. Alberto Valença.

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